‘Queen’s Day’ Irresistível – Histórias de Rainhas – Perfil Vanilce Rodrigues Diniz

Homenageadas tiveram um dia de rainha na loja, com produção de cabelo e maquiagem seguida de sessão de fotos, que são postadas nas redes sociais. FOTOS: Eduardo Chayn

Homenageadas tiveram um dia de rainha na loja, com produção de cabelo e maquiagem seguida de sessão de fotos, que são postadas nas redes sociais. FOTO: Eduardo Chayn

 

Curtir a felicidade pura de festejar a vida, bem arrumada, maquiada e com um fotógrafo profissional para registrar esse momento. Sentir-se uma Rainha. Com esse mote a campanha ‘Queen’s Day’, das lojas Irresistível, em Iguatu (CE), buscou, durante este mês do Outubro Rosa, resgatar a autoestima de mulheres que lutaram ou estão lutando contra o câncer de mama. A campanha, que também abraçou a causa das mulheres afetadas por qualquer tipo de câncer, traz ainda as narrativas de superação dessas mulheres, em uma publicação a ser lançada em breve. Uma das Rainhas é Vanilce Rodrigues Diniz.

Foi por meio de um exame de rotina, em 2009, que Vanilce Rodrigues Diniz, 54 anos, descobriu um câncer na mama esquerda. O laudo da mamografia de um laboratório em Iguatu recomendou que ela seguisse com a investigação e fizesse novo exame. Vanilce partiu de imediato para Fortaleza, dando início a via-crúcis, como ela chama o processo que atravessou, desde o diagnóstico até o tratamento quimioterápico que a levou à perda dos cabelos e de parte da autoestima, passando pela mastectomia (ressecção completa da mama), seguida por uma cirurgia de reconstrução. “Embora perante o sofrimento de Cristo, o que ele fez por nós, pelos nossos pecados, não é nada demais”, diz Vanilce.

Já na capital, sua reação com o diagnóstico não fugiu à regra da maioria dos casos: “a reação de todos, choro, como se choro resolvesse, mas depois a gente vai aprendendo a conviver com a doença, vê que não é só você que está naquela luta e você vai lutar pela sobrevivência, enquanto há tempo, porque se demorar muito é difícil”. Há seis anos está curada. “A gente costuma dizer que curada é a fé que a gente tem em Deus, né? Mas todo dia é dia de vigiar, que nem rezar e orar, e vigiar, vigiar, vigiar, o tempo todo, todo dia”, explica. Continua a fazer exames regularmente, que nunca mais apontou qualquer aspecto fora do normal em sua saúde. “Mas a gente tem medo, é um medo que vai ficar eternamente pra quem teve e pra quem nunca teve e que pode se deparar [com a doença] também, né? Tem que estar sempre em alerta”, fala.

Foram oito sessões de quimioterapia, a cada 21 dias, além do procedimento cirúrgico para a retirada da mama pelo qual teve de passar. Ao final de tudo, realizou novos exames que apontaram o extermínio da doença de seu corpo. A via-crúcis durou quase um ano. Tempo em que contou com o apoio total da família. “A família é essencial no tratamento, a família e os amigos, a gente se sente mais amparada na parte emocional, que mexe muito com a gente, a família tem que estar muito presente”, acredita.

Foi uma época difícil, mas por nenhum momento Vanilce achou que não fosse conseguir superá-lo. “A minha fé é grande, eu creio em um Deus todo poderoso e ele me fortalece todo dia, todo dia eu pedia ajuda e eu consegui vencer”, conta. Felizmente não foi necessário passar por tratamento de radioterapia. Teve que implantar um cateter para ajudar na circulação da medicação nas veias. Ela diz que não sentiu os efeitos colaterais do tratamento da quimioterapia comum na maioria dos pacientes, como náuseas e indisposição constante, nem mesmo quando passou da medicação ‘vermelha’ para a ‘branca’, considerada mais forte. “Tomava a quimio e ia para o Iguatemi [shopping], para o Dom Pastel [restaurante], parece que a quimio me fortalecia de tal maneira que eu nunca vi daquele jeito”, conta. O momento de maior sofrimento para ela foi o da perda do cabelo. “A gente sente como se estivesse despida, como se o cabelo fosse algo muito importante, mas é por causa da proteção dele, da aparência”, reparte.

O que Vanilce diria para quem acaba de ouvir o diagnóstico da doença? “Tenha fé, muita fé e vá à luta, fé em Deus é essencial”. Mas ela fala que como tudo na vida, até a doença tem seu lado bom: “Eu mudei minha vida de forma radical”. Antes do diagnóstico, Vanilce foi proprietária, durante 21 anos, da Bebê Center, loja de moda infantil localizada no centro comercial de Iguatu. Ao descobrir o câncer se desfez do comércio para acabar de vez com o estresse diário. “Quem está no comércio se estressa, porque vende muito, porque não vende nada, vai atrás dos clientes, atrás do fornecedor, comprar, vender, receber, eu evaporei com isso!”, revela e diz que, hoje, não tem hora para nada. “Nem pra dormir, não vivo através de relógio, eu viajo muito, eu vou para todo canto.” Mudou radicalmente também a alimentação: “É fora do normal, é uma coisa que só sabe quem passa”. Além das mudanças externas, visíveis, a doença traz mudanças de foro mais íntimo. “A gente aprende a ser mais volúvel, não dar valor, não se apegar mais a nada, é uma mudança radical na cabeça da gente”, exprime.

Vanilce crê que a descoberta da enfermidade em seus estágios iniciais é fundamental para a sobrevivência. E recomenda para qualquer caso: “Não pode se entregar na mão de um médico só”. Por sorte, além dos exames de rotina que fazia, ela explica que foi muito bem assistida, pois conta com um profissional da medicina na família. Natural de Acopiara, Vanilce não casou e não tem filhos. Passou quase a metade da vida na cidade de Bandeirantes, no Paraná. Está de volta ao Ceará há 25 anos, morando no Iguatu. Hoje, coordena a Capela da Divina Misericórdia, no bairro Brasília, onde mora. Ela costuma dizer que hoje “só trabalha com as obras do Senhor”: “Eu só tenho a agradecer”.

Quando ficou sabendo da campanha ‘Queen’s Day’ Irresistível foi uma das primeiras a se apresentar. “No primeiro dia a gente chega acanhada pra fazer as fotos. Disseram que ficou bonita você chegou a ver? É uma campanha muito bonita, o trabalho das funcionárias, bota, arruma, produz, leva maquiagem, é um trabalho árduo, uma disponibilidade muito grande. Se todo mundo ajudasse a abraçasse essa causa, poderia despertar em muitas mulheres”, diz Vanilce.

 

Emmanuel Montenegro
Emmanuel Montenegro
É jornalista profissional desde 2008. Já foi assessor de imprensa, repórter online e de TV, redator publicitário. Pesquisa e escreve sobre histórias de vida e trajetórias empresariais desde os tempos da faculdade. Até que resolveu viver disso: fundou a Edições BPM, companhia dedicada à escrita de biografias, perfis e memórias de vida e de empresas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *