Fortaleza 288 anos: seu Raimundo

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Fortaleza, capital do Ceará, situada na região Nordeste do Brasil. 5ª cidade mais populosa do país, com aproximadamente 2,5 milhões de pessoas. Fica a cerca de 4h30min do continente Africano e a 6h30min da Europa, América do Norte e América do Sul.

Possui clima agradável, com sol quase o ano inteiro, temperatura média de 26°C e bons ventos, além de belezas naturais de encher os olhos. É conhecida como Terra da Luz, e também como a Terra de Iracema, a virgem dos lábios de mel, personagem-título da obra do escritor cearense José de Alencar, que narra a história do Ceará pela união das culturas branca e indígena.

Fortaleza completa hoje 288 anos. A data faz referência ao dia em que o povoado do Forte de Nossa Senhora da Assunção foi levado à condição de vila, em 13 de abril 1726. No local, hoje, funciona a 10ª Região Militar. O bairro Barra do Ceará é berço do Estado e há quem diga, do Brasil. Na Ponta Grossa do Mucuripe, atual Castelo Encantado, teria chegado, dois meses antes do português Pedro Alvares Cabral aportar no Monte Pascoal em 22 de abril de 1500, o navegador espanhol Vicente Pinzon, da Frota de Cristóvão Colombo.

Mais de 500 anos depois, a antiga Vila de Fortaleza do Ceará Grande desponta como um dos principais destinos turísticos do Nordeste e do Brasil. E com muitos locais ainda a serem descobertos

Como chegar
As rodovias BR-222, BR-020, BR-116, CE-060, CE-065, CE-040, CE-025 e CE-085 são os principais acessos viários da cidade.

Terminais rodoviários em sete bairros interligam o sistema de transporte coletivo municipal.

Via marítima, a ligação é feita pelo Porto do Mucuripe, localizado na região leste do município,
a cerca 15 minutos do Centro.

O Aeroporto Internacional Pinto Martins está localizado a cerca de 15 minutos do Centro e tem capacidade estimada para receber até 9 milhões de passageiros ao ano, a partir de sua ampliação projetada para o Mundial de Futebol 2014

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Seu Raimundo Quem ajudou a construir essa história foi seu Raimundo, 73, cearense de Baturité, fortalezense de coração desde 1958, ano em que chegou com a família para morar na Terra do Sol, que gosta pra valer. “Acho bom o sol, incomoda, mas a gente aguenta, vai pra aqui, vai pra acolá, melhor do que ficar em casa encostado, que as pulgas vão tomando de conta”. “Aqui, vem o vento bom e carrega tudo, limpa seu corpo, você fica bem maneiro, dá movimento pro dia todim”, conta. Quando chegou à Capital, tinha 8 anos e uma mala acanhada de experiência, adquirida na lida no campo, durante o roçado na plantação de algodão e mandioca, na serra de Baturité. Ajudava o pai agricultor, que ele lembra, morreu “com quase 100 anos”, a ser arrimo da família.

Já adulto, seu Raimundo trabalhou em firma de construção civil, durante 30 anos. Foi servente, pedreiro, carpinteiro, tocou obra, hoje, está aposentado. Mas não consegue ficar parado. Há cerca de dois anos comprou um isopor de pequeno porte, que abastece todo dia com água e cerveja, e, recentemente, passou a vender sacolas plásticas que suportam até 20kgs para os turistas guardar pertences no calçadão da Beira Mar ou na praia. “Comprei duas para experimentar”. Quando pode, compra coca-cola e “comida feita” para revender.

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Casado no civil, teve 11 filhos, 6 estão vivos: “duas mulheres e quatro homens”. Mora no bairro Ancuri e tem casa no Autran Nunes, de onde sai todo dia para a Beira Mar. Desce do Circular na parada do Habib’s, por volta das 9h30min, e parte às 5h30min. Gosta da facilidade que tem para se locomover em Fortaleza – “É um ônibus pra ir e outro pra voltar” -, mas reclama da lotação no transporte público. “Tá ruim porque tem muita gente, mas gente é gente, né? Gente é da gente”, constata, e observa: “Tem gente que leva queda, não tem cuidado. Tem quem leva a sorte”.

“Uma aguinha, freguês?”, ele pergunta aos passantes de sorriso frouxo, sempre positivo: “Eu ando por aqui, só acho bondade, daquele tempo para cá, não acho ruindade, também não faço ruindade”.

Diz que pra quem já chegou a ganhar em tostão, hoje está tudo bom demais. “Pra nós tem tudo hoje. Mas o povo não quer, só quer bananar, bananar e pronto”, rezinga. Nem dá trela para a violência cada vez mais frequente na cidade. “A violência, a gente tem susto, pior por outro. Mas não é fácil que a gente vai se assustar não, que a gente vai correr fora daqui”. Uma data que espera com anseio é o 7 de setembro, quando confere de perto o desfile cívico-militar na avenida Beira Mar. Um dia antes é seu aniversário. No feriado, ele deixa o isopor em casa. Após a marcha, só faz relaxar. “Vou dormir, comer alguma coisa, num sono bom, enfadado”. Seu Raimundo gosta de uma boa conversa, se deixar o freguês não sai mais. Com toda humildade ele avisa: “A coisa é essa. É o que eu tenho pra contar. Eu já passei dos 70, posso contar alguma coisa pra você. Você também deve ter muita história pra contar pra mim, eu sei que você tem. Quanto mais velho, mais dias, mais história”.

Emmanuel Montenegro
Emmanuel Montenegro
É jornalista profissional desde 2008. Já foi assessor de imprensa, repórter online e de TV, redator publicitário. Pesquisa e escreve sobre histórias de vida e trajetórias empresariais desde os tempos da faculdade. Até que resolveu viver disso: fundou a Edições BPM, companhia dedicada à escrita de biografias, perfis e memórias de vida e de empresas.

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