Um Sábado Alegre na Feijoada Nobre do Celeiro

Reportagem especial de 1 ano de aniversário do Celeiro Serviços de Gastronomia.

A Feijoada Nobre do Celeiro Serviços de Gastronomia teve um sabor especial para quem compareceu à casa de Rosane Teófilo, no sábado, 24 de maio de 2014. Ela e a filha, Mariana Tamas, sua parceira na cozinha e no preparo dos pratos, comemoravam um ano da festa que é realizada aos sábados em sua residência na avenida Barão de Studart, 2994, no bairro Joaquim Távora, em Fortaleza.

Durante esse tempo, muita gente querida passou por lá, deixando os sábados mais alegres, recheados de sorrisos e boas risadas, além dos melhores acompanhamentos: cerveja gelada, farofa delicinha, couve mineira, pimenta selecionada, no grau, cocada de forno campeã e o prato principal – a feijoada carioca.

As reservas estão valendo. Vem! Por volta das 13h (às vezes antes), os clientes começam a chegar ao bistrô alencarino, acolhedor, com gostinho de casa de amigos, decorado com toalhas floridas nas mesas, e um ingrediente especial no cardápio: amor, de sobra. O cheiro do feijão no ar desperta o paladar e também as amizades, já que a maior parte da clientela é formada por amigos e amigos dos amigos de Mari e de Rosane. Então, quase todo mundo ali se conhece e quando não conhece, aproveita a oportunidade para conhecer, bater papo, trocar uma ideia.

Apesar do coração grande de mãe e filha, o lugar atende até 30 pessoas, somente, por isso é necessário fazer reserva pelo telefone ou pelo Facebook.

Feijão tem gosto de festa! Rosane e Mariana gostam de cozinhar e de receber gente em casa com carinho. Sempre foi assim. Até que resolveram unir o talento que têm para cozinhar e os temperos, e lançar o empreendimento gastronômico, em 2012. O gosto pela culinária foi despertado em Rosane pela mãe, Maria Luísa, que cozinhava muito bem para a família, mas não queria gente ao seu lado na cozinha.

Dessa forma, Rosane, que é fortalezense, cresceu assistindo de longe a mãe comandar o fogão. “Eu prestava atenção, adorava, aquilo para mim era muito fascinante, como eu acho hoje.” Quando se mudou para o Rio de Janeiro, depois de casada, é que passou a cozinhar com liberdade e prazer. “Quando eu comecei a cozinhar todo mundo dizia que o meu tempero era parecido com o da mamãe”, lembra. E era uma comida macrobiótica, pois o ex-marido carioca, a quem chama de Tamas, pai de Mariana, era adepto do regime alimentar saudável. A sogra também cozinhava muito bem, e, na Cidade Maravilhosa, onde morou por 20 anos, Rosane acabou se encantando de vez pela arte da gastronomia, que considera uma espécie de alquimia: “Os ingredientes de repente viram uma coisa muito boa”.

No Rio, cidade onde Mari nasceu, já fazia feijoada, além de um cardápio variado para os amigos que recebia em casa. Cada um levava sua bebida ou compravam juntos e dividiam a conta. A boa mesa era o pretexto para a reunião – “E continua sendo”, diz Rosane, que sempre adorou barzinho. Desde os tempos em que era secretária da escola de teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Formada em letras, teve sempre o trabalho ligado às artes. Foi a primeira diretora do Estoril, na época em que era o único centro cultural de Fortaleza; primeira diretora do Teatro Sesc Emiliano Queiroz; fez parte do Instituto Dragão do Mar de Arte de Cultura. Mas o que ela gosta de fazer mesmo é cozinhar: “É a comida que me norteia”.

Hoje, a cozinheira de mão cheia e de turbante impecável no cabelo não gosta mais de sair de casa. “Então, foi um jeito de trazer o bar pra dentro da minha casa”, conta. No início, funcionava mais no horário da noite, com comidinhas e bebidinhas. Aí, ela teve a ideia da feijoada. “Porque eu achava que a feijoada ia atender mais gente e eu adoro gente.” Mariana não era favorável, preocupada com a mobilidade no espaço reduzido. Mas Rosane já visualizava tudo – cozinhando para os amigos, servindo as mesas. E insistiu com a filha. Mandou cimentar o chão da área de entrada da residência, preservando plantas e árvores. Em um minuto, o espaço havia aumentado. No dia do lançamento da Feijoada Nobre do Celeiro, os amigos compareceram em peso e o evento foi um grande sucesso! E desde então tem sido assim: os sábados se tornaram mais animados e felizes para Rosane e Mariana, assim como para os amigos que frequentam o espaço. “Olhar para trás é ótimo. Era o que eu achava que ia acontecer.”

Mariana é filha, amiga e parceira. “Hoje ela é a alma de tudo, faz divulgação, serve, me ajuda.” Contam com uma ajudante que entende de cozinha, atualmente uma prima, mas da comida e do tempero só Rosane cuida: “É tudo de mim para comigo”. O ritual começa na sexta-feira, quando ela separa o feijão, corta as carnes, dessalga o que é preciso dessalgar, já deixa tudo separado. No dia seguinte, toma o maior cuidado com o tempo de cozimento de cada produto – “O tempo de cozimento de um, é diferente do outro, bota primeiro esse, com meia-hora bota aquele outro, é uma festa”, diverte-se.

Sente uma satisfação enorme ao ver as pessoas saboreando a sua comida e prefere ter a resposta ali na hora da última garfada. Nesse sentido, ela se considera uma atriz de teatro, que tem o retorno do público ao final do espetáculo: “A resposta é imediata”. Por essa razão, tem curtido tanto os dias de feijoada no Celeiro. “E todo dia é uma feijoada nova, é diferente o público.”

Por lá, não é raro escutar o diálogo:

– Ai, Mariana, tá uma delícia!
– Vou chamar a mamãe para você falar pra ela.

Rosane acha incrível esse retorno: “Pra você melhorar. Pra mim é fantástico”. Exigente, procura manter a qualidade dos alimentos e produtos que utiliza, quando falta algum no mercado compra outro equivalente, mas já aconteceu de achar a feijoada feia: “Estava uma delícia, mas não estava bonita. Tem que ser caldo grosso, pedaços simétricos… Eu gosto de comida bonita. Você come com o olho, depois que você come com a boca”. Não gosta de comida com muita gordura ou doce, então, tudo o que prepara segue a linha mais saudável – “Eu não consigo fazer nada calórico, eu reduzo mesmo”. A cocada de forno que é servida após a feijoada é um exemplo: baseada na receita de uma amiga, mas não tão doce, “tem sabor mais leve, não pesa”. (Eu pude comprovar e além do pedaço que comi, deliciado, saí de lá com mais dois pedaços, sem peso algum na consciência).

Às vezes, fica gente até tarde. Outro dia foram até meia-noite. Juntam as mesas, é uma animação. Nessa hora, quando termina a parte da feijoada, Rosane já está mais livre dos afazeres, tomando seu vinho e conversando com os amigos e clientes. Ela adora os sábados que se tornaram dias tão especiais.

1 ano de feijoada no Celeiro Pablo Garcia e Simone Ferla, amigos de Mariana e Rosane há mais de 10 anos, lembram que quando vieram para a Feijoada Nobre pela primeira vez, Julia, de 1 ano e 11 meses, ainda era bebê, de colo, bem pequenininha. Essa é a terceira ou quarta vez que eles vêm saborear o tempero de Rosane, e trazem a filha, que fala: “feijão, couvinha e arrozzz”.

Agora, com Julia maiorzinha, o casal já pode relaxar mais e aproveitar o espaço de encontros para reencontrar os amigos, muitos deles, contemporâneos do curso de design do Dragão do Mar, de 2001. Simone era colega de Mari e da irmã de Pablo, que é músico e também designer. “A gente acaba esbarrando em um conhecido em quase todas as mesas”, ele fala. Além do contato com antigos amigos, Simone sente que o clima acolhedor e familiar proporciona novas amizades – “Às vezes é um conhecido que você tem a oportunidade para aprofundar a conversa”. Sem contar que é uma opção saudável para Julia, que sai de casa com os pais para comer “coisas legais, nada de fast-food”. “Outro dia ela detonou as laranjas”, conta o pai.

Eles confessam que têm saído menos para barzinho à noite e andam preferindo reencontrar os amigos de dia, em ambientes mais tranquilos, como é o caso do Celeiro. “É uma maneira de a gente manter a amizade”, explica Pablo. O horário de chegada e partida depende muito de Julia, se ela estiver mais disposta, demoram mais. Simone ressalta que, na casa, “o apelo maior, além do sabor, é esse clima, essa energia, de amizade, de aconchego”. Eles concordam sobre o espaço: “É a cara delas, da intimidade delas, da curtição delas mesmas”.

– Ave Maria, tá muito linda a Julia.
– Também mãe, os pais dela são lindos.
– Mas ela é muito mais!

Natália, Mariana, Claudio, Julio e Lina sentaram neste sábado de comemoração no Celeiro em uma grande mesa circular instalada na sala da residência. O aparelho de som ao lado toca Paulinho da Viola. Entre conversas sobre os mais variados temas e um gole da cerveja, eles falam dos motivos que os fazem retornar sempre. Para Natália é “o clima do lugar, a comida boa e as pessoas maravilhosas, cerveja gelada, e os encontros. É como se a gente tivesse na nossa casa, da avó, da tia, de um parente”. Seu pai, Claudio, que veio conhecer a feijoada, diz que “se sente parte integrante do local”. E fala que é também uma boa oportunidade de estar com a filha.

Mariana, que já veio algumas vezes, gosta do lugar “muito agradável e do tratamento carinhoso” que recebe das anfitriãs: “Da relação de carinho. É mais pessoal”. Já Lina e Julio, que são casados, vêm sempre que podem, pois além da comida, apreciam o ambiente aconchegante, onde encontram amigos e são bem atendidos. “Você estar em casa fora de casa é bom demais”, avalia Julio. Lina compara: “Parece que você é uma visita, e não saiu pra comer”. E arremata: “Isso é o principal, tudo aqui é muito bom, mas a grande singularidade é essa”.

Aberto aos sábados com feijoada, a partir de 13h, o Celeiro Serviços de Gastronomia segue a proposta da comunidade global EatWith (ComaCom), que oferece a oportunidade de fazer refeições tradicionais na casa do próprio chef com um preço justo. O Celeiro também recebe encomendas. No cardápio: bobó de camarão, vatapá de frango e camarão, pernil, peru à moda do Celeiro, bolo de carne, costelinha suína com geleia de damasco, lombinho, tortas, suflê de bacalhau, escondidinho de carne de sol, lasanha, caponata de berinjela, chutney de manga, além da já afamada Feijoada Nobre do Celeiro. Tudo preparado com muito amor. Bom apetite!

Serviço:
Feijoada Nobre do Celeiro
Avenida Barão de Studart, 2994, Joaquim Távora
Hora: aos sábados, a partir de 13h (é preciso fazer reserva)
Aceita pedidos sob encomenda (72h de antecedência)
Recebe grupos de até 30 pessoas para comemorações e eventos
Contato: (85) 9603.8768
Facebook: https://www.facebook.com/celeirogastronomia

Natália, Mariana, Claudio, Julio, Lina, e este repórter

Fotos: Kamille Costa/ Divulgação

Emmanuel Montenegro
Emmanuel Montenegro
É jornalista profissional desde 2008. Já foi assessor de imprensa, repórter online e de TV, redator publicitário. Pesquisa e escreve sobre histórias de vida e trajetórias empresariais desde os tempos da faculdade. Até que resolveu viver disso: fundou a Edições BPM, companhia dedicada à escrita de biografias, perfis e memórias de vida e de empresas.

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