Emmanuel Montenegro

elmo moreno nascidoEntrevista com o empresário, ex-prefeito de Iguatu (CE), Elmo Moreno, para o Jornal do Centro-Sul. 

O empresário João Elmo Moreno Cavalcante é um homem prático e de visão que acumula larga experiência no segmento agropecuário. A entrevista feita em seu escritório na A. Moreno S.A, indústria de fabricação de implementos agrícolas que fundou em 1968, em Iguatu, junto com os irmãos, Raimundo Moreno e José Edesio Moreno, foi mais rápida do que esperávamos, eu e o repórter fotográfico Jan Messias. Elmo Moreno, como é mais conhecido, que chega aos noventa anos de idade no próximo mês de outubro, tem a fala breve e objetiva, permeada por lembranças agradáveis da terra onde se estabeleceu na década de 50 e da qual foi prefeito, dos anos de 1977 a 1982. Foi ainda gerente do banco do Brasil e deputado estadual, eleito em 1984. Nós falamos de sua trajetória empresarial, suas impressões políticas e seu mais recente empreendimento: a Agropecuária Chapada do Moura, projeto pioneiro e arrojado, dele e do filho, Marcos Moreno, funcionando na zona rural de Iguatu e que tem a meta de irrigar 350 hectares de milho e soja até o fim de 2016. Além do plantio, a fazenda produz 7.600 litros diários de leite. Uma saída inteligente, em meio à escassez de água e às chuvas abaixo da média que há quatro anos persistem no Ceará.

JORNAL DO CENTRO-SUL – Gostaria que o senhor falasse um pouco da sua trajetória de vida.

ELMO MORENO – Eu nasci e me criei no povoado de Suassurana, aqui no município de Iguatu, aos quinze anos e seis meses fui para Fortaleza para trabalhar e estudar e graças a Deus eu tive um certo sucesso, porque na época eu já estava na faculdade de ciências econômicas, e houve um concurso do Banco do Brasil e lá da faculdade só passou eu. Vim tomar posse aqui em Iguatu, daqui fui gerenciar a agência de Icó, depois a agência de Senador Pompeu, e por último a agência de Iguatu; passei três meses e me aposentei para me candidatar a prefeito.

JORNAL DO CENTRO-SUL – Como chegou à política?

ELMO MORENO – Eu cheguei à política através do Marconi que era candidato a prefeito e queria que eu fosse candidato juntamente com ele, na época havia a soma de legendas em que candidatos da mesma legenda somavam os votos. Graças a Deus o pessoal reconheceu o meu trabalho e achou que eu fiz alguma coisa pelo município.

JORNAL DO CENTRO-SUL – E como ex-prefeito, como o senhor avalia o cenário político atual da cidade?

ELMO MORENO – O cenário de hoje do Iguatu é um tanto promissor, existem determinadas lideranças que estão se movimentando, porque a sociedade não está muito satisfeita com a gestão atual, daí porque eu vejo com um certo otimismo o pessoal que está interessado em melhorar a situação.

JORNAL DO CENTRO-SUL – O senhor foi prefeito e se elegeu ainda deputado estadual. Não quis seguir na carreira política?

ELMO MORENO – Eu tinha negócios que estavam precisando da minha ajuda, da minha colaboração, então eu desisti de me candidatar pela segunda vez.

JORNAL DO CENTRO-SUL – Como o senhor enxerga o desenvolvimento atual do município? Em que Iguatu pode avançar?

ELMO MORENO – Pode prosperar e vem prosperando. Aqui tem muitas pequenas indústrias, tem o Edivan, da Madeform, o Zenir… Iguatu hoje exporta cadeiras, muita cerâmica, uma indústria que talvez muitos iguatuenses nem conheçam; tem fábrica de processamento e beneficiamento de arroz, o município é um grande produtor de banana, no Cardoso, na Penha, por exemplo.

JORNAL DO CENTRO-SUL – O senhor vivenciou o auge da cultura do algodão. E hoje, consegue visualizar algum produto ou cultura que tenha a mesma força?

ELMO MORENO – Nós éramos um dos maiores beneficiadores de algodão do Ceará, mas a praga nos pegou desprevenidos, o chamado bicudo, e quem beneficiava o produto aqui foi obrigado a se afastar da atividade. Agora, eu puxo a brasa para a minha sardinha. Nós temos uma indústria de fabricação de carretas, de carros-pipa para transporte da água, máquinas de beneficiamento de feijão, milho.

JORNAL DO CENTRO-SUL – Iguatu hoje tem universidades, escolas de nível técnico. Como o senhor enxerga a juventude iguatuense de hoje?

ELMO MORENO – É uma juventude muito ativa. Não tenha dúvidas de que as faculdades que estão se instalando aqui, as escolas profissionalizantes, são resultado da ansiedade dos jovens que fazem a campanha e terminam sendo vitoriosos nos seus pleitos.

JORNAL DO CENTRO-SUL – Ano que vem teremos eleições. Como ex-prefeito, o que o senhor diria para o novo administrador?

ELMO MORENO – Tem que ouvir o povo para ver o que é mais importante para o município. Eu tinha a experiência como administrador do Banco do Brasil, e isso me ajudou bastante, mas na época Iguatu não tinha nada, não tinha rodoviária, não tinha lagoa da Telha, era uma poluição muito acentuada, não tinha o Morenão, onde eu cheguei a jogar futebol; eu sentia  a areia muito funda, às vezes, a gente que estava jogando afundava na areia; e reconheceram a minha administração, que trouxe boas ideias, o Morenão, a rodoviária, o saneamento da lagoa da Telha; a avenida Perimetral, fui eu que dei o primeiro chute. Dom Mauro celebrava missa ali na matriz de Nossa Senhora Santana, quando passavam as carretas enormes, ele botava a mão no ouvido porque o pessoal não conseguia ouvir o que ele falava, e esses problemas todos foram resolvidos.

JORNAL DO CENTRO-SUL – Como o senhor recebeu a mudança do nome do estádio que construiu, o Morenão, para Agenorzão?

ELMO MORENO – Muitos iguatuenses não ficaram satisfeitos com essa mudança. Eu acho que interpretaram a lei incorretamente porque a lei só vai retroagir quando é para beneficiar, mas mudaram o nome de Morenão para Agenorzão, eu acho que não foi correto não. É tanto que a população protesta no bairro Morenão, ninguém chama de Agenorzão, ainda chamam de Morenão, e muitos iguatuenses que moram fora daqui não gostaram da mudança.

JORNAL DO CENTRO-SUL – O senhor é um homem religioso?

ELMO MORENO – Eu sou um homem religioso. Na minha mocidade eu me juntava aos líderes estudantis e não me lembrava da religião, de professar uma religião, mas graças a Deus – deve ter sido Deus que me encaminhou – hoje, todo domingo eu vou à missa com muito prazer juntamente com minha esposa e meus familiares.

JORNAL DO CENTRO-SUL – Qual foi a motivação para os investimentos pesados que o senhor fez na Chapada do Moura?

ELMO MORENO – O meu filho mais novo, Marcos Lee, é muito trabalhador, muito esforçado, ele é apaixonado pela agricultura e pela pecuária, e lá ele instalou uma ordenha e hoje nós somos o maior produtor de leite da região, estamos relacionados entre os dez maiores produtores de leite do Ceará, produzindo em torno de 7.600 litros de leite aproximadamente, e o pessoal todo admira a nossa iniciativa. Instalamos quatro pivôs centrais que são muito importantes, diariamente estamos aguando aquelas áreas, em torno de 600 tarefas mais ou menos, onde a gente produz o capim, o milho, que serve de alimentação para as vacas que são ordenhadas.

JORNAL DO CENTRO-SUL – Prestes a completar 90 anos, o senhor segue com a rotina de visitar as empresas, o comércio, qual o segredo para essa vitalidade?

ELMO MORENO – Eu visito as minhas empresas diariamente, a indústria Asa Branca que fabrica carretas, a Chapada do Moura, vou diariamente para ver o que está acontecendo por lá. Acho que o segredo é a genética, é a família, é isso aí, a vitalidade é essa, se é que podemos chamar isso de vitalidade, meu avô, meu bisavô, meu pai, todos faleceram mais novos do que eu, quero ver se eu chego aos 100 anos.


Foto: Jan Messias

*Entrevista publicada em 2015

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